A conveniência da ética na sociedade brasileira

A conveniência da ética na sociedade brasileira

 

 

Um acontecimento esportivo no ano de 2008/9 e que se repete todo final de campeonato brasileiro de futebol, reacendeu polêmica na época, como acontecerá este ano também, sobre ética, esportiva ou não.

Todos os anos esses casos são expostos pela mídia.

Na administração pública e no congresso isso é uma prática constante. Está em todos os jornais, todos os dias.

O Barueri, naquela época, clube de futebol do interior de São Paulo derrotou o Flamengo, clube do Rio de Janeiro, em jogo realizado na Arena Barueri.  Até então o resultado estava no campo esportivo.  Terminado o jogo, dois jogadores do time vencedor disseram que haviam recebido um “incentivo financeiro” para que jogassem “com vontade”.  O clube “doador do incentivo” teria sido um grande clube brasileiro interessado na derrota do Flamengo porque estava disputando com ele melhor posição na classificação do campeonato nacional.

No jargão do futebol brasileiro tal incentivo é denominado “mala branca” – receber dinheiro para vencer uma partida, tirar algum ponto do adversário ou causar-lhe algum tipo de prejuízo.  O oposto seria a “mala preta” – receber alguma coisa para perder um jogo.

Os debates aconteceram durante a semana posterior ao jogo. Mais lenha na fogueira foi adicionada porque na partida seguinte o Barueri jogou contra o São Paulo sem os dois jogadores que haviam sido entrevistados por Conrado Giulietti - repórter da empresa ESPNBr - e feito a revelação da “mala branca”.  Tais jogadores são considerados os melhores daquela agremiação e, além disso, o São Paulo era adversário direto do Flamengo e do Cruzeiro.  O Barueri perdeu o jogo. Disseram, no programa Linha de Passe da mesma televisão, que São Paulo e Barueri seriam parceiros em alguns projetos esportivos visando a Copa do Mundo de 2014, que foi realizada aqui no Brasil. O Barueri como punição teria “barrado” os dois jogadores, mas, em face de suas relações com o São Paulo, a questão ética ficou pior.

A maioria dos jornalistas e comentaristas esportivos que se manifestaram a respeito do assunto disseram que tal fato acontece desde sempre no mundo do futebol.  Não viram nada absurdo na questão.  Todos só condenaram a “mala preta”, que seria - esta sim - sinônimo de corrupção.

Fiquei escandalizado com a posição adotada por parte da mídia porque, além da minha formação familiar, sou oriundo do mundo do direito, da magistratura, eu não aceitava nem mesmo que uma pessoa me dissesse: “Seu juiz, eu vim lhe agradecer pela sentença que o senhor prolatou.”. Eu respondia sério, ofendido: ”O senhor não precisa me agradecer por qualquer coisa, eu só fiz aquilo que minha consciência e as normas do direito brasileiro mandaram, cumpri o meu dever.”

No serviço público algumas décadas atrás era muito comum ouvir alguém dizer, falar, sobre o “jeitinho brasileiro”, isto é, passar algum dinheiro para o funcionário para que ele fizesse ou deixasse de fazer alguma coisa própria de seu ofício:

- “Dê um dinheirinho pra ele para que ele veja com “carinho” o teu problema.”.

No Código Penal tais fatos são tipificados como:

- “Corrupção ativa” – o particular que oferece dinheiro para o funcionário.

- “Corrupção passiva” – o funcionário que recebe o dinheiro do particular.

Por que são crimes essas práticas?

Justamente por se chocarem contra as normas de conduta na vida de relação social. São condutas antiéticas.

O funcionário público recebe seus vencimentos para trabalhar corretamente, sem discriminar este ou aquele particular.

O Direito Penal Brasileiro criminalizou, penalizando este tipo de conduta, com norma perfeita, porque o povo brasileiro entendia e entende que vai contra os seus costumes. Vai contra a moral da sociedade, convenção já estabelecida e normatizada desde muito tempo.

Entretanto fico espantado com parte da mídia e opinião do povo, com o pode-não-pode, ético-não-ético:

- Parlamentar receber “mensalão”, ou propina, para votar a favor de projeto de determinado partido político, não pode.  Se a população não descobrir, pode.

- Funcionário Público receber “um dinheirinho” para dar andamento em determinado assunto pode, se ninguém descobrir.  Caso contrário, não pode.

- Time de futebol/jogadores, sem maiores pretensões no campeonato, receber um “incentivo” para jogar como nunca jogou no campeonato para favorecer time terceiro interessado, pode...

Quando convém é ético.

As pessoas formadoras de opinião, e o povo brasileiro, precisam se conscientizar, se a prática da “mala branca” se generalizar, como parece que já está generalizada no esporte e na política, que aquelas pessoas que já recebem dinheiro de seus empregadores para exercerem atos dos seus ofícios poderão facilmente receber para esquecer, não ver, favorecer, beneficiar, transmitir informações confidenciais privilegiando determinadas entidades, fraudar licitações, aceitar superfaturamento em contratos públicos e privados, receber benefícios para votar, ou não votar, em determinadas situações no congresso nacional, enfim, praticar todo tipo de falcatrua para iludir o povo ou pessoas.

Existem canalhas, corruptos, infames, patifes e velhacos em todos os setores da atividade humana, principalmente na política, na administração pública, onde o mais bobo conserta relógio no escuro com luva de boxe.

Esse incentivo que recebem de terceiros interessados é um comportamento antiético passivo/criminoso praticado por ele.  No serviço público isso é crime!

Estão adotando comportamento proibido pela moral da sociedade brasileira.

O eleitor, guardião da moral, em época de eleição, usando o voto - a arma poderosa do cidadão - deve afastar da vidá pública essa súcia, essa quadrilha, essas gangs, esses bandos, que se apoderaram do país.

Vote, afaste dos cofres públicos toda a canalhada.

Eles ficarão malucos!

Vingue-se dos ilusionistas eleitorais.

 

 

 

 

 

 

 

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