Tráfico, o uso de drogas e o crime no Brasil

O TRÁFICO, O USO DE DROGAS E O CRIME NO BRASIL

Parte II

 

No sistema brasileiro, embora haja o processo penal, a pessoa encontrada com determinada quantidade de droga ilícita para uso próprio tem tratamento diferenciado, as penas variam entre advertência, prestação de serviço comunitário e/ou comparecimento a programa governamental.  O usuário de drogas não é condenado à pena de prisão.

Não há liberação geral do comércio, sejam drogas leves ou pesadas, em grande quantidade, em qualquer parte do mundo. O que há é apenas liberação em determinado país para venda de pequenas quantidades de maconha por comerciante cadastrado e tratamento, como no caso brasileiro e português, diferenciado para o usuário, digamos assim, preso em flagrante. Alguns países fazem abordagem mais liberal em determinados aspectos, como a experiência holandesa. Em Portugal o assunto ainda é polêmico, embora esteja sendo utilizado como parâmetro por muitos, mas já há projetos de lei visando a repristinação legal (retorno ao sistema antigo), porque entendem parlamentares portugueses que a criminalidade aumentou com o narcotráfico de pequenas quantidades.  Querem "acabar" com a liberação.  Todos os países europeus estão fazendo experiências, nada é definitivo.

As pessoas, principalmente as mais jovens, tendem precipitadamente a adotar a teoria do liberou geral,  achando que assim a criminalidade irá diminuir.  Que o narcotráfico é o grande impulsionador dos aumentos dos índices de práticas de crimes.  Não! o nosso criminoso não pratica crimes em razão do comércio de drogas ilícitas.  Ele os pratica  porque não existe opção melhor e mais fácil para sair da pobreza absoluta.  Se liberarem o comércio ou o uso de drogas proibidas o nosso traficante não vai fundar uma empresa voltada para a "...importação, exportação e venda no varejo de "canabis sativa" e cloridrato de cocaína S/A".  Não vai virar pessoa jurídica, com contabilidade, fiscalização, documentos, empregados celetistas, pagamentos de impostos, etc..  Ele vai continuar a atuar na clandestinidade, fazendo algo simples e lucrativo em termos comerciais, sem pagamento de impostos, coisas tais como roubos, venda de armas, tráfico de mulheres, sequestro, jogo do bicho, etc.  Só vai mudar a atividade.

O uso de drogas lícitas ou ilícitas, geradoras de prazeres momentâneos, sempre foi atraente. Basta ver o uso de bebidas alcoólicas, verdadeiro flagelo da humanidade: famílias desestruturadas, divididas, sofredoras.  Inúmeros crimes são praticados a todo segundo por pessoas alcoolizadas.  Inúmeros acidentes de trânsito ocorrem em razão do uso dessa droga lícita.  Basta imaginar então o que acontecerá quando a juventude tiver à sua disposição, por liberação da autoridade, um número infinito de outros tipos de drogas proporcionadoras de prazeres fantásticos.  No trânsito os policiais estarão munidos de verdadeiros laboratórios de análises químicas para uma análise rapidinha de sangue, enquanto a vítima do usuário jaz à frente do veículo, no chão, mutilada.

No mercado de trabalho e no meio estudantil também antevejo situações terríveis, mesmo que o uso aconteça fora do horário de trabalho e estudo.

A indolência gerada pela droga ou como se dizia e se diz aqui no Brasil, a "rebordosa" (ressaca) do uso de qualquer tipo de droga, mesmo fora dos horários de trabalho e estudo, até mesmo nos descansos semanais,  sem depender da pessoa e do tipo de droga utilizada, dura em média cerca de três dias até o organismo se recuperar.  A prática e a medicina afirmam isso.  Não se consegue estudar e trabalhar direito já que a pessoa está em péssimo estado físico e psicológico com sono atrasado, padecendo de males do fígado, pulmão, intestinos, etc.  A desatenção se instala e os reflexos diminuem.  A indolência e a desatenção causadas pela maconha é um fato conhecido mundialmente.

Na Holanda a liberação aumentou o consumo e a pesquisa dos criminosos.  Lá inventaram o Skank, a maconha produzida em laboratório, o consumo de um baseado de Skank gera "bode” (indolência) também por cerca de três a quatro dias.

No Brasil, o problema da criminalidade e do uso de drogas passa pelo exemplo das fortunas mágicas dos políticos, sempre trilhando caminhos sinuosos e de difícil elucidação, fato que gera impunidade.

O nosso criminoso, sem escolaridade, nascido e criado na miséria, vê o exemplo da fortuna mágica, mas pela sua própria ignorância procura sobreviver da maneira mais fácil: vendendo droga no pé do morro. Depois descobre que comprando direto do produtor pode lucrar mais.  Vai até a Bolívia - qualquer marginal "pé de chinelo" aqui do Rio/SP/BH, etc., sabe o caminho - compra 1 kg de pasta base(coca) por R$1.500,00, na fronteira com Corumbá.  Faz o batismo e aumenta o peso, para alguma coisa em torno de 5kg e consegue faturar cerca de R$10.000,00, ou mais. Pronto! Nasceu um grande narcotraficante.  Esse mesmo 1kg em Moscou é vendido por cerca de US$100.000,00, após o refino.  Tudo sem qualquer burocracia, fiscalização e higiene.

Todos os dias dezenas de pessoas são presas nas fronteiras do Brasil portando drogas, pesos diversos.  Há um tráfico formiga intenso.

- Ah! mas o consumo só vai aumentar num primeiro momento, como acontece com a bebida alcoólica.

Esta afirmação é falsa: a maconha mais forte que a gente tinha aqui até os anos 60/ 70 era uma tal de "manga rosa", que habitava o imaginário dos adolescentes do Paz e Amor, Bicho!  Agora, com as pesquisas da Europa, cultivo em laboratório, com terra e adubação especial ou cultivo hidropônico, o tetrahidrocanabinol aumentou seu teor. No Skank há um índice de THC sete vezes maior que na maconha. A porcentagem chega até 17,5%, sendo que na maconha "da boa" é de 2,5%.   Isso gera consequências terríveis para o estado, a família e a sociedade.  Não há dependência física, como nas drogas mais pesadas, a dependência é psicológica, mas mesmo assim...

Com a falta de trabalho e com o desemprego gerado pelo uso liberado, o povo indolente e alienado vai ser dominado facilmente pelos espertos políticos, como aconteceu com o Egito, colônia da Inglaterra, no início do século passado, com o ópio.  A criminalidade evidentemente tenderá a aumentar.  Teremos gerações enfraquecidas pelo uso dessas substâncias.

Hoje a coca não é só cheirada ou injetada, ela é fumada. O efeito é muito forte, rápido e dura pouco tempo. Vicia terrivelmente porque o drogado se vê estimulado a consumir cada vez mais, visto que a rebordosa é muito dura.  Muitos dormem pelas ruas, no primeiro buraco que encontram, vemos isso com a nossa população mais pobre.

Os serviços de saúde e segurança pública e a sociedade brasileira sofrerão danos irreparáveis.

 

 

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