Mais uma: vale-cultura ou "quibeleza!"

Mais uma: vale-cultura ou... “quibeleza!”

 

Impressionante a disposição do governo de distribuir dinheiro para todos os lados. 

Foi aprovada no senado, último dia 30/11, a criação do vale-cultura, uma brilhante e enorme teta idealizada pelo Ministério da Cultura.

A “coisa” funcionará assim: a proposta prevê que os trabalhadores, que ganham até cinco salários mínimos, recebam R$50,00 mensais das empresas credenciadas para utilizar no consumo de produtos culturais, como shows, peças de teatro e livros.  Com a tramitação no senado incluíram a compra de jornais, revistas, fascículos, guias e almanaques. A brilhante idéia da inclusão foi de um senador do PT.  A emenda possibilitará a compra inclusive de revistas pornográficas, segundo consta da matéria do Terra Magazine.

Disse o senador: “se você analisar bem, pornografia é um tipo de cultura”

Isso quer dizer que o governo não satisfeito com as diversas bolsas-disso- e-daquilo, resolveu patrocinar também o sexo solitário do trabalhador.

O pior de tudo é que a mídia amiga e camarada está eufórica com a tramitação do projeto.  Há um frisson nas editorias de jornais, revistas e livros.

A ANJ (Associação Nacional dos Jornais) e a ANER (Associação Nacional dos Editores de Revistas) batem palmas.  A segunda está tão eufórica que está fazendo lobby declarado.

As empresas que optarem pelo vale-tudo-para-permanecer-no-poder, digo, pelo vale-cultura poderão abater do seu imposto de renda o tal valor. Mas elas poderão apenas abater 5% do salário do trabalhador.

Alguém tem alguma dúvida do dirigismo cultural ou doutrinamento socialista que virá por aí?  O governo só credenciará com o selinho desejado aqueles periódicos, revistas e livros que falarem bem dele e espalharem aos quatro ventos a cartilha que seguem.

Os trabalhadores abrangidos pela inovação serão aqueles que recebem até 05 salários mínimos – muita gente!

Pelo que parece toda a mídia quer entrar nessa – oba!

Não está parecendo o “mensalão” da mídia?

A pretensão primeira é evidentemente alcançar e doutrinar o trabalhador que já não está nas escolas.  Aquele que está fora do alcance do doutrinamento dos livros didáticos.  Além disso, cala a boca do seguimento que não é alcançado pelo patrocínio oficial dos jornais de grande circulação.  Estes últimos, além do grande patrocínio oficial (plim-plim), engordarão ainda mais.

Solidário ao governo eu proponho a campanha do vale-bergère, para o trabalhador poder ler a sua revista pornô em ambiente confortável.  As empresas que optarem por comprar uma poltrona bergère para seus trabalhadores poderão descontar o valor do imposto de renda.

Zéfiro, o célebre autor de revistas pornográficas dos anos 50 e 60 aqui no Rio (... boas lembranças deixou na minha geração!) que sempre vendeu suas revistas na clandestinidade, poderá faturar uma nota.  Basta que ele ou seus herdeiros digam que viviam na clandestinidade, logo poderá reeditar suas revistinhas com o selinho do governo - o seu enorme coração de mãe a todos acolhe.

Alguém tem alguma dúvida que muitos trabalhadores ficarão na porta dos teatros, cinemas, estádios, vendendo as entradas que compraram para os shows por um preço baratinho, fazendo concorrência com as bilheterias?

Alguém tem alguma dúvida que as revistas de “mulher pelada”, jornais e revistas de esporte, principalmente de clubes de futebol, irão faturar um belo dinheirinho?

Cara! Depois que eu passei a me intitular “comentarista” percebi que “as coisas” são muito piores do que eu pensava.

Antes eu atentava para as notícias mais como entretenimento e como fonte de cultura para aplicar nas minhas atividades de magistrado.  Lia e interpretava, mas me calava em razão da profissão.

Agora eu leio, interpreto e comento.  Quando você passa a ter o comentário como atividade principal a sua atenção fica mais aguçada.  Estou estarrecido com os absurdos e coisas que estou vendo e percebendo neste mundão de Deus!

Mais um bolsa qualquer coisa.  Mais um vale alguma coisa.  Cota para isso, cota para aquilo. 

O governo que já entendia que afrodescendentes e mulheres (são incapazes!) precisam ser amparados em todas as atividades, agora decidiu que o trabalhador não tem imaginação para o seu divertimento solitário e vai fornecer vale para que ele possa comprar uma revistinha para se inspirar.  A revista de “mulher pelada” virá com um selinho do governo.  Só espero que não venha com um... manual!

As grandes corporações jornalísticas serão silenciadas por conta do selo de credenciamento.  A classe artística que já dependia dos financiamentos públicos, vai calar de vez.

Pergunta que não quer calar:

Não estamos diante de um mecanismo de censura, com a manifestação do pensamento sendo comprada?

E você, o que acha?

Dê sua opinião.

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