Patrícia Amorim ou "hay que endurecer...

Patrícia Amorim ou "hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás"

 

O campeonato brasileiro terminou, mas não fiz nenhum comentário porque já dava como certa a vitória do Flamengo sobre o Grêmio, embora, não sei por que, tenha roído minhas unhas, tomado uma dose dupla de sal de fruta e cumprido o ritual vencedor: isolamento no meu quarto, TV e ar ligado no máximo, Manto Sagrado vestido em um dos travesseiros e o boné preto e vermelho marca Wilson (lembram do filme O Náufrago?) pendurado estrategicamente na porta do armário para que “ele” pudesse ver o jogo (sou uma pessoa normal!!!).

Vez por outra ainda entro no Twitter e dou o grito de guerra da nação, que a todos os adversários atemoriza: Mengooooooo! (rsrs).

O Flamengo, embora não tenha jogado bem nos três últimos jogos, foi campeão com justiça.  Foi mais eficiente que os outros times.  Adriano, o craque do time, fez o que dele se esperava: gols! E Pet jogou muito.

Há muitos anos o time precisava de um goleador e um meio-de-campo habilidoso.  A saída do Ibson foi providencial, por incrível que possa parecer este raciocínio.  Bom jogador, mas o time estava com muitos atletas na cabeça de área.  Alguns até melhores que ele na destruição de jogadas adversárias.  Viesse um armador de ofício, como o Pet, e o técnico teria um grande problema devido à personalidade do atleta já que ele não aceita a reserva com tranqüilidade.

Mas já passou!  Agora a minha expectativa é pelo desempenho de Patrícia Amorim.  Nada contra ela pelo fato de ser mulher.  Ao contrário.  Acho que foi a melhor coisa que poderia ter acontecido ao clube.  Patrícia me parece excelente pessoa, muito bem intencionada, cheia de idéias excelentes.  Meu temor era pela sua inexperiência na administração de uma grande empresa como o Flamengo e como se relacionaria com o carro-chefe do clube – o futebol – aquele que tudo paga.

Depois das primeiras entrevistas fiquei mais calmo.  Ela estudou bem o assunto e está bem assessorada.  Precisa ter bem presente no seu pensamento que o grande empresário não consegue fazer tudo sozinho. Necessita de aconselhamento e assessoramento, pois sua cultura, como a de todos nós, tem limitação. São muitas as especialidades necessárias para se tocar uma grande empresa. Precisa formar uma barreira de pessoas de sua confiança para que os problemas cheguem até ela devidamente filtrados, restando-lhe apenas as decisões.

O administrador principal do clube chegar cedo e visitar todos os departamentos antes de se dirigir à sua sala é importante, mas sua atitude deve ser apenas de observadora das falhas e acertos.  As providências devem ser tomadas com sua assessoria.  Eles - os assessores – com habilidade e educação, são os que devem bater de frente com os departamentos.

A “mão-de-ferro” não pode ser acintosa para não gerar intranqüilidade na sua equipe. 

Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás."

Patrícia é inteligente e habilidosa – eu acredito!

No trato com atletas e funcionários é interessante considerar o ideal aristotélico de justiça distributiva, ou seja, os desiguais não recebem partes iguais.  As desavenças e contendas ocorrem quando, sendo iguais, são atribuídas a elas partes desiguais ou quando desiguais as pessoas lhes atribuem partes iguais.

Quero dizer que o maior erro acontece quando os dirigentes começam a tratar as estrelas do time, que são desiguais em relação ao resto do elenco, em igualdade de condições.  Lógico que igualdades gerais na vida de relação de atleta têm que acontecer, mas algumas desigualdades necessariamente devem ser toleradas para que aquelas estrelas saibam que elas estão sendo toleradas na medida de sua desigualdade.  Se for um excelente atleta, deve continuar se esforçando para assim permanecer e continuar a merecer o tratamento especial.  Há muita sensibilidade em jogo e é preciso habilidade para administrá-las para não prejudicar as diversas equipes do clube.  Principalmente as que pagam as contas.

Finalmente, o Flamengo tem pouco mais de quatro mil sócios, mas os destinos do clube estão nas mãos de trinta e cinco milhões de torcedores, todo mundo sabe.

Boa sorte, Patrícia!

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