Faltas, faltinhas e cartões amarelos

Faltas, faltinhas e cartões amarelos

Muito se fala no futebol sobre a qualidade dos árbitros.  Existe uma safra péssima de sopradores de apito no futebol mundial que entende que para impor autoridade é necessário distribuir no início da partida, diante de qualquer falta, cartões amarelos.

O resultado dessa prática é que o espetáculo perde em qualidade porque no segundo tempo os jogadores “amarelados” ou ficam receosos por ocasião dos choques com os adversários ou são expulsos ou substituídos.

Os critérios da arbitragem são motivos para desespero de todos que participam dos jogos – atento ao fato de que os torcedores e espectadores são parte essencial do esporte profissional.

Seja grave ou leve, o celerado (salve Nelson Rodrigues!) distribui cartões generosamente.  O resultado é que também ele, além dos jogadores, fica tolhido em suas funções.  Fica com receio de dar o segundo cartão e ser obrigado a expulsar.  Esse receio é percebido pelos atletas que então passam a desferir nos adversários pancadas acima do nariz.

O cartão amarelo foi feito para advertir o jogador por ocasião de uma falta mais forte, mais grave, que venha a colocar em risco a integridade física do adversário ou que, embora leve, venha a impedir o regular desenvolvimento do espetáculo, neste contexto inclua-se, entre outras situações, a potencial conclusão perfeita a gol, o denominado risco de gol.

Os árbitros precisam entender que não se pode usar o cartão como se fosse um revolver ou cassetete na cintura: para impor autoridade.

Outra questão que esquenta os debates parte de alguns comentaristas que entendem que o árbitro deve deixar o jogo correr, não deve apitar qualquer “faltinha”, visto que o futebol por suas próprias características leva ao choque físico.

Existem regras no jogo que devem ser respeitadas, a falta definida pelas normas deve sempre ser coibida, não importa se é leve, moderada ou forte.  Falta é falta!

O atacante habilidoso, fisicamente leve, se aproxima da área em alta velocidade, entra na área pronto para finalizar ou dar o passe, nesse momento é tocado pelo marcador e se joga teatralmente no chão – pênalti!

- Recebeu um toque, mas foi leve, se jogou! Foi uma faltinha! Não foi pênalti! – dizem alguns comentaristas.

- Foi pênalti! O toque foi suficiente para deslocar e impedir a jogada. Foi falta. Falta dentro da área é pênalti! – dizem outros.

Não existem faltas e faltinhas. Regra é regra, seja leve ou forte, falta é falta!

Se formos considerar que a faltinha não deve ser punida, daqui a pouco estaremos dizendo que o impedimento foi por alguns centímetros ou milímetros ou que a bola cruzou “só um pouquinho a linha do gol” ou “saiu só um centímetro pela lateral”.

- Expulsão? Que expulsão? Só tirou uma lasquinha da tíbia!

O que precisa ser feito é um movimento para que se reciclem o conhecimento dos atletas e árbitros quanto às regras do esporte.

Mas o mais importante é que se faça rígida seleção por ocasião da escolha do profissional da arbitragem.

O cidadão que se disponha a arbitrar um jogo de atletas adultos, que mexe com paixão popular e envolve fabulosos investimentos em pessoal, equipamentos e dinheiro, precisa, antes de tudo, ser portador de personalidade equilibrada, ter físico privilegiado, ser estudioso e, se possível, ter praticado o esporte que pretende arbitrar, para que possa entender a modalidade sob o ponto de vista do atleta correto e do atleta malandro.

Vivência é essencial!

E você, o que acha?

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