Adriano não queria ser convocado ou... a fragilidade emocional!

Adriano não queria ser convocado ou... a fragilidade emocional!

 

“A torcida, a imprensa e o rádio dão importância a pequeninos e miseráveis acidentes. Por exemplo: — uma reles distensão muscular desencadeia manchetes. Mas nenhum jornal ou locutor jamais se ocuparia de uma dor-de-cotovelo que viesse acometer um jogador e incapacitá-lo para tirar um vago arremesso lateral. Vejam vocês: há uma briosa e diligente equipe médica, que abrange desde uma coriza ordinaríssima até uma tuberculose bilateral. Só não existe um especialista para resguardar a lancinante fragilidade psíquica dos times. Em conseqüência, o jogador brasileiro é sempre um pobre ser em crise.” – Nelson Rodrigues, abril de 1956, Manchete Esportiva.

 

 Vez por outra recorro, para a feitura da minha crônica esportiva, a Nelson Rodrigues, Sandro Moreira, João Saldanha, Armando, enfim... aos bons!

Folheio, leio, releio, sempre buscando aprendizagem, inspiração para algo que seja original e não me venha posteriormente soar como repetição de algum clássico.

Pois eu estava a garimpar a idéia... mas sempre me batia o incômodo da não convocação de Adriano.

Por que- oh, raios! - alguém ouvindo durante meses que não seria convocado se permanecesse com seus escândalos públicos e suas faltas aos treinos, faria “ouvidos de mercador” (epa!) às queixas, reclames, notícias e fofocas de toda a imprensa nacional e permaneceria indiferente, dando a impressão que pouco estava ligando para a Seleção Brasileira?

Quando me deparei com a crônica de Nelson, de onde selecionei,  copiei e colei o texto epigrafado, disse logo: é isso!

A imprensa esportiva passa a idéia de que todos os atletas são uma fortaleza, não em perfeito equilíbrio, mas fincada, cravada, inabalável em seus montes de músculos.

Pois Nelson já chamava a atenção nos anos cinqüenta para a fragilidade psíquica dos jogadores e dos times brasileiros.

Nelson discursou na ocasião sobre os jogos do time brasileiro contra os húngaros e uruguaios na copa de 54 na Suíça: Quando os excelentes jogadores brasileiros mostraram-se extremamente nervosos e foram derrotados.

Hoje todos os times abrigam nos seus departamentos médicos setores de psicologia.

Sabemos, por observação e aprendizado, que muitas vezes a diferença entre um time e outro reside no poder de concentração da equipe.  Na véspera do jogo nada pode atrapalhar o “foco” dos atletas.  Nem mesmo uma simples quebra de rotina, como engarrafamento de trânsito, desentendimento entre alguns jogadores no vestiário, mudança de uniforme após entrar em campo, chuva não esperada, etc.

O atleta de alto desempenho, para a sua “performance”, precisa estar em estado de graça.

Lembram-se da convulsão de Ronaldo Fenômeno em uma das copas que perdemos?  Lembram-se do desempenho de todo o time no jogo?

Pois é isso! Adriano não foi convocado porque não queria ficar pouco mais de um mês internado, longe de sua vida, na África do Sul, sabendo dos assuntos pelo celular.

Estou convencido disso!

As pessoas não se lembram da origem familiar e da família do jogador;

Não lembram que Adriano deve possuir respeitável patrimônio;

Não lembram que a pessoa tem negócios fora do futebol.  Muitas vezes o atleta está iniciando um negócio, comprando um imóvel, por exemplo, e a coisa não deu certo, ou deu muito certo.

Não querem saber se ele está com uma boa estrutura administrativa, se os assessores são competentes ou são só alguns amigos que não entendem nada de nada;

Não lembram, ou não procuram saber, da saúde da família;

Não lembram, ou não procuram saber, se a família vive em harmonia;

Não querem saber se a mulher do cara é uma encrenca sem tamanho;

Não se preocupam em saber se o jogador é mentalmente uno ou bipolar;

Não se preocupam em saber se o atleta bebe sua cervejinha porque o médico não pode receitar os antidepressivos, em razão do exame antidoping.

Nessas situações as pessoas trabalham preocupadas com outros assuntos não porque querem, mas porque essa é a sua vida, apesar do seu trabalho exigir concentração total...

Não tem jeito! Quando a vida da pessoa é de um jeito, não tem jeito... vai ser sempre assim.

Repararam que Adriano pareceu estar aliviado com o fato de não ter sido convocado?

Repararam que ele já deu sinal que não quer voltar para a Europa, apesar do desespero do seu empresário – Gilmar Rinaldi - que, aliás, parece com o Tico ou o Teco do desenho animado?

Adriano não quer ficar longe de sua vida social e familiar.

Não tenho dúvida... Agora que a ameaça da convocação já passou, Adriano vai ter de volta sua alegria, vai continuar a se envolver com seus problemas e vai voltar a jogar bola.

Não está mais com medo da convocação!

Para a alegria também da Dona Encrenca, a sua namorada!

E você, o que acha?

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