SOLIDÃO E SOLITUDE

SOLIDÃO E SOLITUDE

Solidão... esse sentimento que pode te jogar no caos da depressão, torná-lo um gênio ou levá-lo à loucura.

Muitas vezes você quer a fusão de almas, mas não consegue porque, por uma razão ou por outra, surge a alienação que derruba a cumplicidade, necessária e fundamental, embora continuem juntos.

É o estado emocional de estar-não-estando, com sofrimento.

Você pode ser um solitário no meio de uma multidão como pode estar em comunhão emocional com alguém, embora sozinho em um bote à deriva no oceano.

Pode estar solitário, sem necessariamente sofrer de solidão, seria um estado de solitude, o isolamento voluntário ou até mesmo imposto.

Desde que seu isolamento seja consciente e voluntário, a solitude pode até mesmo conter uma atividade plena de alegria e satisfação, até mesmo prazerosa.

Se eu me isolo para produzir matéria para o meu site, por exemplo, eu o faço com alegria, pois escrever me causa prazer.

Ou pode ser forçado e sofrido, por exemplo, como para aquele político safado que fugiu para não ser preso ou linchado pelo povo e amarga uma solitude, com a cueca cheia de dinheiro, mas a cabeça cheia de terror, embora não esteja sofrendo de solidão... Insensível o sacana!

Ou para aquele que foi condenado a uma reclusão, em qualquer cárcere... Pode estar isolado, mas sem o sofrimento da solidão.

Mas o que importa para a poesia é a solidão.

O poeta gosta de sofrer, já disse Fernando Pessoa:

“O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente”

Antes de tudo é preciso saber que é um estado d’alma.  Um sentimento de vazio que lhe invade o peito, o pensamento.

- Espera aí!... Você não é ateu?

- Sou... Por que?

- Que história é essa de falar em “fusão de alma”. Ateu não acredita nisso!

- Retórica... Falar em sentimento sem colocar poesia é assassinar o poeta.  Não há sensação mais linda do que dizer... Com uma frase simples, por exemplo: “Toda vez que ela diz “boa noite!...”, sinto um aperto no coração”

Ela está indo... Mesmo que seja por algumas horas, mas ela está indo.  Há um sentimento de quase perda para os apaixonados.

Descrever este momento exige do poeta procurar figuras que exprimam o que a pessoa sente, embora se saiba que tudo se passa na área do pensamento.

Além do mais, tenho certeza que para os poetas a alma surgiu antes dos deístas e teístas.

- Desde quando você é poeta?  Muito pretensioso!

- É o seguinte: Se ficar de gracinha...  eu te demito do cargo de alterego, com esse superego chato!

Você não precisa ficar preocupado com o ritmo do verso, se é livre, branco ou de pé-quebrado, para se sentir um poeta. Basta sentir a vontade de exprimir seu sentimento, de mostrar sua sensibilidade, de exteriorizar o que lhe passa n’alma, como fazem os poetas.

Pare de interromper e me deixe falar da solidão!...

Muitas vezes você está com a pessoa - amada profundamente - mas ela se aliena, seja por razões próprias ou por que a natureza assim quis.

A compreensão surge, mas a solidão bate na porta.

Nesses momentos, para uma diminuta satisfação, já não se exige a fusão de espíritos que transforma tudo em sopa de sentimentos, basta uma simples união de pensamentos, mesmo sem fundi-los... como ocorre na comunhão!

- Comunhão... parece coisa de igreja!...

- Pst! Pst! Olha o que eu te disse!... Comunhão é um antônimo de solidão... seu chato!

Num momento desses da até vontade de dizer, como os sambistas:

“chora a cuíca, chora o cavaco...”

- Lá vem você, de novo. Você não tem talento musical, é desafinado e não toca nada...

- Olha só!... Você está cortando o raciocínio... Deixa eu falar!

Quando bate a solidão, o sofredor lembra:

“chora a cuíca, chora o cavaco...”

“Quero me lembrar da frase que eu iniciava e você completava...”

“Quero lembrar...”

“Das longas conversas na troca de olhares infinitos...”

“Do toque quente no tocar das mãos...”

“Do sincero: Ah! Não vai não, fica mais um pouco!”

“Do meloso gostoso: Desliga você... não! você primeiro!”

Para os talentosos os momentos de solitude ou de solidão podem levar à elaboração de obras maravilhosas.

O que seria do poeta, do compositor musical, se não existisse o desamor e a solidão, mesmo que fingida a existência em momentos de solitude.

Lupicínio produziu, pelo que falava, suas melhoras obras em reais momentos de desamor e solidão.

Maysa: a tristeza, a depressão, o desamor, a solidão, invadiram seu espírito e maravilhosas composições e interpretações surgiram, embora fossem lhe envenenando gradativamente a alma.

De todas, acho que os poetas acreditam também, a pior solidão é aquela que lhe é imposta pela natureza quando, apesar de estar ao lado do ser amado, a fusão de almas, a comunhão, é interrompida pelos males da vida.

E você, o que acha?

Dê sua opinião!

 

Comments 

 
-2 #1 Manuela 2011-06-07 15:25
tudo tão verdade. Mas como é possivel alguém que nunca bebeu o suco amargo da solidão, descrevê-la tão bem?
Ah! Já sei! Aprendeu daqueles a quem, imerecida e injustificadame nte, a impôs.
Mas desengane-se: a solidão tá preenchida de palavras, recordações e música, muita música.
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