Um técnico de futebol e sua baixa auto-estima

Um técnico de futebol e sua baixa auto-estima

Vez por outra leio entrevista do Andrade – ex-técnico de futebol do Flamengo – reclamando que foram injustos com ele, não reconhecendo seus méritos de grande ídolo da história do clube.

“Quem fez história no Fla não é querido lá, lamenta Andrade!” (Site Terra, reproduzindo entrevista concedida ao jornal O Dia – hoje, 04/04/11).

Algumas vezes, em outras entrevistas, ele disse não saber por que fica tanto tempo desempregado, já que integrou, como jogador, um dos melhores times da história do futebol brasileiro, chegou a ter passagem pela Seleção Brasileira, e, principalmente, foi campeão brasileiro, como técnico, em 2009.

Mais uma entrevista do Andrade desfiando rosário de lamentações e querendo jogar torcida e mídia contra o clube.

Fez isso até em renovação de contrato.

Discutiu publicamente o assunto tentando sensibilizar e ganhar com o grito da massa, porque havia sido campeão, mas parece que aprendeu que isso não se faz. Há muito desgaste da imagem.

Disse que o Flamengo não trata bem seus ídolos.

Na verdade ele parece estar querendo dizer que os ídolos devem constar eternamente na folha de pagamento dos clubes... é a tal da “gratidão”.

Que outro tipo de “gratidão” poderia ser?

Tapinha nas costas, discurso e menção no museu do clube?  Isso... Tenho certeza que ele dispensa.

Aposentadoria com salários integrais só acontece no serviço público e em determinados sistemas de previdência complementar porque os salários não são astronômicos como dos atletas dos clubes.  Mesmo assim, a tal da previdência complementar, se não falir antes, algumas vezes se recusa a pagar pensão aos ingênuos contribuintes que fizeram os recolhimentos durante toda uma vida.

Quanto ao Adriano ele ingenuamente acha que Patrícia, diretores e o técnico Vanderlei Luxemburgo não discutiram internamente o assunto.

- Caro Andrade, como você deve saber, Adriano causou grandes problemas em todos os clubes onde esteve... Problemas de comportamento e imagem.

O clube discutiu e resolveu, como tantos outros clubes do futebol mundial, não apostar em Adriano, apesar do baixo salário, pouco para o talento dele, mas o prazo de validade...

Pensar o contrário é muita ingenuidade.

- Meu caro Andrade, os clubes vivem hoje de marketing, publicidade.  O faturamento com as bilheterias dos estádios, levando-se em consideração os altos salários dos atletas e comissão técnica, além dos equipamentos e necessidades de pessoal dos clubes, representa apenas uma pequena parcela da receita necessária para encarar a bola de neve dos encargos.

Nenhuma empresa ou clube do mundo trabalha como se fosse instituição de beneficência e não quer amarrar a publicidade de seus produtos ao “bad boy”.

“Brasília” talvez assim proceda com os “ divinamente agraciados” e as tais fortunas mágicas que aparecem por lá.

"O dia a dia dele era tranquilo. O Adriano é uma pessoa amiga, compreensiva, que quer ajudar todo mundo. Tinha uma liderança dentro do grupo.” (Andrade)

A impressão que se tem, diante dessas palavras, foi que, na opinião do Andrade, a mídia se equivocou e passou a imagem que o time campeão de 2009/2010 (Campeonato Carioca) era muito indisciplinado... talvez o mais indisciplinado do futebol brasileiro na época.

O Andrade precisa aumentar o nível de sua auto-estima, parar de querer ser considerado o coitadinho injustiçado.

Por ocasião da renovação de contrato pediu valor muito alto, entendendo que era o melhor técnico do mundo, discutiu pessoalmente o assunto e se desgastou. Outras pessoas podem ter entendimento contrário. Tudo é muito relativo...

- Ah! mas ganhou o campeonato brasileiro!

Ganhou porque o time tinha craque e abraçou o técnico!

Queria ver, como diz o Calazans, se fosse o Arimatéia, o Bambala ou o Íbis, com todo respeito naturalmente.

O Flamengo naquela ocasião estava sem dinheiro. Cheguei a postar matéria aqui no site dizendo que o Andrade pediu alto, sabia que o clube não tinha dinheiro, deu a impressão que estava querendo a dívida trabalhista, assim como outros afortunados... dívidas que atravessam décadas!

Já disse, em outros comentários, que existem técnicos que podem entender muito de futebol, mas isso só não basta para ter sucesso nesse tipo de atividade profissional.  O homem precisa ser antes de tudo... um líder!

Isso Andrade nunca demonstrou publicamente ser, nem em seus tempos de jogador. Talvez seja outro equívoco da mídia!

Ao contrário, em razão de sua... digamos... timidez, quando era titular indiscutível do Flamengo, foi preterido na seleção.

Vitor, seu reserva no time, foi o convocado.

Por ocasião das entrevistas como técnico demonstrava, como demonstra, conhecer futebol (foi um grande atleta), mas despertava, e desperta, mais admiração nas pessoas em razão de seu jeito ingênuo e simples.

Jogadores e componentes de qualquer grupo profissional adoram o técnico ou o chefe "amigão" e ingênuo.

Claro, adoram deitar e rolar!

Por um acaso, em algum momento, Andrade, diante das inúmeras faltas e atrasos, foi duro, como deveria ter sido, com Adriano, tentando colocá-lo nos trilhos?

Alguma vez Andrade falou para o Pet ficar sentadinho no banco durante os jogos e não ficar dando a entender que era ele (Pet) que estava orientando o técnico? 

No episódio das declarações e escândalos do Bruno, Adriano e Cia, teve com eles uma conversinha de pé-de-ouvido?

Se por um acaso aconteceu essa conversa, eles realmente ficaram sensibilizados e o atenderam?

Ou ficaram com pena porque Andrade – o “amigão” - poderia perder o cargo?

Talvez tenha deixado para o Marcos Braz, Tinoco ou outra pessoa resolver...

Por ocasião das crises quase diárias, pulou na frente e, como líder, apareceu para resolver os problemas com a imprensa?

Bruno e Adriano fizeram as alegrias dos paparazzos e dos jornalistas fuçadores de lata de lixo, aqueles que não saem da frente da casa da pessoa e fuçam literalmente o lixo procurando garrafa de bebida, camisinhas, maços de cigarro amassados, pontas de cigarros, até mesmo absorvente, ou uma foto do jogador coçando o saco, bolinando a namorada, ou se embebedando com três ou quatro moças no raiar do dia no barzinho na beira da praia, para alimentar a matéria do dia seguinte.

Era um escândalo atrás do outro...

- Isso, meu amigo Andrade, chama-se falta de disciplina por parte dos jogadores, inexistência de consciência profissional e demonstração de falta de respeito com o treinador, chefe, gerente, etc.

Técnico tem que ser motivador, pode até ser mau técnico, mas tem que ser especialista em palestra motivacional, entender muito de liderança e saber dar umas "palmadas" nos jogadores no momento certo.

Como fazem... Sabe quem?

Os gloriosos sargentos das forças armadas de todos os países.  

Aqueles que estão na linha de frente da batalha, encarando o inimigo, e, mesmo assim, apesar de tudo, conseguem motivar a tropa para lutar, muitas vezes com o sacrifício da sua vida ou integridade corporal sua ou de alguns de seus comandados, para atingir o objetivo da missão que lhe foi determinada.

Não precisa ter a "delicadeza" do Felipão, embora alguns grupos necessitem de líderes, em algum momento, desse tipo de comando.

Técnico tem que saber motivar o elenco.

Quanto ao Pet, FOI, eu disse FOI, um excelente jogador.

Jogava em 2009/2010 só por alguns minutos.

Jogador deixa de ser bom jogador de um dia para o outro, sim senhor, basta não se cuidar ou carregar o peso da idade.

Depois dos 33/34 anos - há exceção, claro! - com a conta bancária recheada de dólares e euros, fica difícil ter paciência para treinar, chegar no horário, receber bronca, escutar conversa de técnico iniciante, que não recebe nem mesmo 10% do seu salário e não tem um milésimo de sua fortuna pessoal.

Pet, quando estava bem preparado, segundo a mídia, só jogava 18,5 minutos, depois se arrastava em campo.

Já aparentava não estar bem fisicamente, como atleta, em 2009.

Acredito que ele quis jogar no Flamengo por outros motivos... Mídia talvez, seus créditos trabalhistas, mais dívidas por conta de um possível último contrato... quem sabe?

Parecia fingir que treinava e jogava, nunca entrava em forma.

Não conseguia jogar um tempo inteiro como os jogadores mais jovens.

As férias dele sempre eram esticadas... Ah! É natal na Servia!

Clube de futebol e empresa, qualquer uma, não é, como já disse, casa de encosto, asilo remunerado, previdência complementar, negócio de compadre ou casa de reconhecimento de mérito. Isso não existe em regime profissional.

NEM NO VATICANO É ASSIM. PADRE QUE NÃO TEM CONDIÇÕES DE REZAR MISSA E NÃO CONSEGUE CONVENCER PESSOAS A DAREM UMA ESMOLINHA É ENCOSTADO, DEIXOU DE SER ÚTIL.

Pet está sendo muito bem pago... Continua sendo, apesar de não fazer parte do elenco que joga (a tal da dívida de um último contrato).

Não tem que reclamar de nada e não reclama. Ele sabe o que quer da vida.

Sempre demonstrou ser portador de personalidade forte.

É empresário. Está rico, segundo consta, por conta de altos salários praticados em contratos passados e bons investimentos. Dizem que a pizza é ótima!

Além do mais parece que está mudando o rumo de sua carreira para se tornar agente FIFA.

Com toda certeza deve estar muito agradecido ao Flamengo e ao futebol brasileiro, pela visibilidade alcançada.

Quanto ao Zico, grande ídolo do país e da nação rubro-negra, meu ídolo, eu não vejo qualquer ingratidão por parte do Flamengo.

Aliás, nem ele, pois quando tomou posse como diretor, disse que não pretendia receber salário. A instituição já havia feito muito por ele.

Pessoalmente entendo que ele deveria ter continuado no cargo, pois ninguém, na história do planeta, conseguiu ser unanimidade... nem Cristo!

Deveria ter encarado aqueles que o desafiavam, não deveria ter desistido, mesmo porque quem o desafiou só tem, ou tinha, o apoio de um ou dois de seus pares. Me recuso a acreditar que tenha mais de meia dúzia de aliados.

Ninguém deve esperar reconhecimento de empresa depois que se aposenta ou é demitido.

Se alguma empresa assim procede é somente para efeito externo, para ter lucro mais adiante ou abrilhantar o marketing.

Repito, o regime é profissional!

Interessa? Está dentro!

Não interessa? Está fora!

Os americanos costumam dar um relógio de ouro para o sujeito que se aposenta, grande ídolo ou não e... uma caixa de papelão para que possa retirar suas tranqueiras o mais rápido possível da sala que ocupou.

Os grandes jogadores, quando articulados politicamente e sem atritos com os clubes, costumam ser agraciados com um jogo de despedida, com a renda sendo destinada “às criancinhas”.

"Eu achava que tinha mercado. Ainda mais dirigindo um time de massa como o Flamengo. Mas, na verdade, você encontra um mercado restrito, que está na mão de meia dúzia de pessoas que manipulam o futebol. Que põe quem eles querem e infelizmente eu não faço parte desse grupo. Tem treinadores aí que nem chegam à final nem nada e têm os nomes citados. Mas tudo é uma coisa manipulada e a gente tem que conviver com essa situação." (Andrade)

Não sou o dono da verdade – graças a Deus – se isso acontecesse a vida não teria a menor graça. Nunca pretendi ser unanimidade na minha vida. Adoro uma polêmica, uma discussão de tese, etc.

- Caro Andrade, acredito que você está encontrando dificuldade no mercado de trabalho por diversas razões, mas não pelo motivo alegado.  

- Pense! Se prepare, estude (não faz mal a ninguém) e contrate um bom agente para discutir com seus futuros clubes, recuperar sua imagem...

- Que tal o Ronaldo Fenômeno? Articulado, bom de papo, diz que faz e acontece.

Quanto ao preconceito racial – de novo: graças a Deus! – Andrade na entrevista não caiu na armadilha insana do jornalista, caso contrário seria mais um tema para pensar a respeito antes de procurar emprego.

- Aqui no Brasil, no futebol, esse tema não cabe... me poupe!

- Converse, analise, pense! Pegue um bom time, demonstre o seu valor, futebol você conhece muito... o mercado está aí mesmo!

E você, o que acha?

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