Sentimentos!

Sentimentos!

 

De repente você acorda e pensa:

 - Finalmente me libertei,

Meu tormento se foi

Minha alma flutua,

Toda aquela angústia que me entristecia

Não existe mais.

Alegria!

 

Mas pouco a pouco você se dá conta

Que tem alguma coisa apertando teu coração.

Parece que uma parte de você também foi junto.

- Não, não pode ser.

De novo a tristeza?

Esse inferno não acaba?

Não quero isso!

Angústia!

 

- Esse vazio é saudade?

Esse vazio é a falta do amor que já não havia?

Será que é a culpa da tristeza que causei?

Causei tristeza?

Tudo que fiz foi me livrar da garra

Daquele amor... Não era amor?

 

Será a culpa da minha crueldade?

Será que fui cruel?

Mas com a crueldade,

Que eu não sei se foi,

Eu buscava o retorno da alegria.

Incerteza!

 

Com tristeza, com angústia, com incerteza

Levo a vida e o lugar comum da vida me leva.

O tempo passa, o sol surge, o amor acena.

O carinho se instala.

Maravilha de encontro da meiguice

Com a vontade de ser feliz.

Esperança!

 

 Alegria, felicidade, esperança...

  O choro!

De alegria, de felicidade,

De amor... Porque se chora de amor?

De esperança, de insegurança

De tristeza, de incerteza,

De raiva... Raiva?

Raiva preocupa!

 

A porta do vinho guardado se fecha.

O inverno surge forte... Muito frio!

Tempo escuro, nuvens carregadas.

Indagações, muitas indagações!

Cuidados!

 

 Angústia, novamente a angústia!

O vai e volta da vida.

De novo a constatação do verso pobre

Que a vida faz nascer.

 

Solidão machuca, dói, faz sofrer,

Maltrata, te joga num turbilhão

De um caminhar numa estrada vazia

Com o vozerio de uma multidão.

 

Solidão, angústia, cuidados, raiva,

Esperança, incerteza, tristeza,

Angústia de novo, muita angústia,

Cuidados, desequilíbrio, equilíbrio, alegria.

A vida te machuca de todo jeito.

 

 Lá de trás surge a voz do poeta consagrado:

- Para fazer o verso, finge que é dor

A dor que de fato você está sentindo!

Grande conselho... Tente fingir!

Porque poeta não é um fingidor,

Antes de qualquer coisa todo poeta é maluco,

Depois a gente vê que é um masoquista.

Garimpa nas chagas da alma os versos malditos

Para compor o poema dos sentimentos.

No final suplica pelo empréstimo do psicanalista alheio!

Poeta metido esse!

 

E você, o que acha?

Dê sua opinião!

Comments 

 
-2 #1 Manuela 2011-05-16 08:05
teria de abrir o peito e mostrar-lhe. Mas saberia vc ver? Saberia vc compreender "o morse sincopado, surdo, desesperado, do meu coração a bater"?
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