A solidão de alguns ou... O amor, esse sentimento louco!

A solidão de alguns ou... O amor, esse sentimento louco!

Muitos, como eu, já escreveram sobre essa coisa doida da sensação de estar só, contra sua vontade, no meio da multidão, querendo ser abraçado, mas sendo ignorado...

Amar significa querer o ser amado correspondendo ao seu próprio pensamento de desejar.

Não se ama esperando que o objeto de seu amor o/a ignore, seja indiferente ao sentimento que você nutre por ela/ele.

Amar sem pretender reciprocidade é coisa maluca. Muitas vezes esse sentimento que externamente se revela unilateral, na realidade não passa de admiração ou do sentimento de simpatia, quando você não só entende e compreende o pensamento, os sentimentos, as emoções de uma pessoa, mas gosta deles, os aprecia como algo interessante para você... simplesmente! Pode até ser bilateral, mas falta um componente essencial do amor que é a reciprocidade intensa e o querer estar junto, o desejo carnal...

- Mas e o amor platônico? – pergunta o alterego, meu fiel companheiro.

- O amor platônico é aquele que permanece no campo do ideal, sem pretensão sexual, como o amor de Sócrates por Alcebíades, o aluno preferido de Sócrates (referência feita por Platão)... Sei! A homoafetividade, na Grécia antiga, era condenada se algum dos amantes fosse menor de idade... Entre os adultos era livre, normal, amplamente difundida e aceita. Na verdade era a grande hipocrisia da intelectualidade e aristocracia grega. A pederastia, a relação entre homens adultos e adolescentes, era normalmente praticada, mas condenada, razão pela qual Platão fez referência ao “amor” de Sócrates pelo aluno, utilizando o politicamente correto grego, como o sentimento isento de sexo... lembre-se que Sócrates foi condenado por corromper a juventude e por não adorar os deuses de Atenas.

O amor platônico, referido atualmente, diz respeito a aquele onde não há a materialização, onde não há sexo por alguma razão, mas permanece o desejo carnal.

Quem ama não quer ver a indiferença da pessoa amada, mas quer que o seu objeto de desejo não permaneça somente no campo do ideal, mas o quer materialmente realizado...

O amar alguém querendo retribuição forçada é coisa doentia, no sentido de amar querendo que o outro tenha a obrigação de amar somente porque você o ama ou porque você faz tudo ao seu alcance para agradá-lo...

Nos amantes nós identificamos, sem grande esforço, a presença da empatia mútua, existente também em outras relações, quando percebemos, compreendemos, não só as agruras, as dores, as angústias, mas as alegrias, os prazeres intelectuais e carnais do ser amado, sabendo que são os sentimentos e emoções dele, mas, no fundo da sua alma, querendo sinceramente, desejando intensamente, que sejam uma só solução, formando a fusão de espírito...

A empatia é algo mais intenso e profundo que a simpatia.

Quando a gente ama... queremos ver a satisfação, os desejos da pessoa amada realizados, espiritual e materialmente. O desejo de agradar está intimamente ligado aos amantes... a flor para a mulher amada, o telefone do dia seguinte, o e-mail ou a tuitada apaixonada... são exemplos de reciprocidade, de demonstração de carinho pelo carinho recebido.

Quando falta o componente do desejo do encontro de corpos, procurando contrariar a lei da física, que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo, nós estamos diante de algo que pode significar muita coisa, menos amor.

O amor, além daquela empatia referida, tem fome de carne. Não se confunde com a paixão, que é o sentimento exacerbado no entorno da loucura.

Em algumas situações, de desamor ou comodismo, como acontece com as relações de algumas pessoas, quando falta um dos elementos da “solução química” do amor – empatia e desejo intenso de devorar, engolir o ser amado – fundindo as almas e os espíritos, nos deparamos com... a solidão!... que pode, inclusive, ser recíproca na relação entre duas pessoas.

A solidão... essa... meus amigos... é a diaba, a coisa ruim, a erva daninha e venenosa, que aniquila, intranqüiliza o pensamento, mata, leva a pessoa para os escaninhos dos conflitos existenciais...

Alceu Valença bem disse na canção famosa:

A solidão é fera,
É amiga das horas,
É prima-irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração.

A solidão dos astros;
A solidão da lua;
A solidão da noite;
A solidão da rua.

A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas, prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.

 

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Comments 

 
-1 #3 Heloisazk 2011-09-12 13:04
As ultimas cinco linhas, diz tudo sobre a solidao.
So quem teve um grande amor e o perde pode avaliar o quanto e duro viver so!
So vivendo e que se pode avaliar a sua dor.
As lembrancas passadas fazem vc viver como se estivesse anestesiada
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-1 #2 Janaína Pinho 2011-08-25 00:08
Simplesmente adorei! Adorei mesmo!"...sensação de estar só, contra sua vontade, no meio da multidão, querendo ser abraçado..." Exatamente isso q sinto! Excelente ^^
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-1 #1 Manuela 2011-08-24 19:30
Continuo a dizer que a sua perspicácia é extraordinária, mas há coisas que, sendo homem, escapam à sua compreensão.
Resumindo, concordo com tudo o que aqui diz, mas escapam-lhe outras formas de amor sincero, desinteressado, que, por muita falta que faça o sabor do corpo do outro, se conformam e contentam com pequenos gestos que nunca acontecem. Fica tudo por dizer.
A minha admiração continua intocada.
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