A Arbitragem no futebol

Em toda atividade humana existem pessoas que por falhas na formação de sua personalidade parecem querer sempre agradar a todos sem exceção, mesmo que isso seja contrário à sua própria compreensão dos fatos.  Mas nesse grupo há uma grande maioria que em razão de seus freios morais fica constrangida quando percebe que está sendo fiscalizada por grupos de pessoas. Neste caso então, se agir somente para agradar, ou até mesmo por má-fé, sabe que ficará evidente sua falha de caráter e, então, recua e faz o que manda sua consciência.

Na arbitragem do futebol mundial nota-se que aqui e ali ponteiam árbitros que não ligam nem um pouco para a opinião da multidão.

Maracanã superlotado, ou qualquer outro estádio de futebol, com oitenta mil pessoas com olhar crítico sobre o seu trabalho.  Câmeras de televisão mostrando para milhões de pessoas a educação que a sua infeliz mãe lhe deu.  Fotógrafos, com suas máquinas em riste, prontos para eternizarem o momento da prática abjeta: nada disso é suficiente para trazer um pouco de rubor à face do degradado moralmente.

É repugnante, mas sempre haverá aquele que, possuindo os mesmos defeitos morais daquele exposto, por motivos outros, até mesmo por pensar que estará sendo agradável ao patrão não entrando em polêmicas e/ou por adorar só falar o politicamente correto, então dirá: “está de frente para o lance, mais bem colocado e apitou com convicção”, ou seja, pode roubar, mas tem que praticar o crime com convicção porque assim eu não me comprometo, mesmo que no meu íntimo eu pense o contrário.

Mas, isso é o futebol.  Já pensou se todos fossem imaculadamente honestos? Nelson pensou:

 

“Vejam vocês que coisa melancólica e deprimente: — um jogo de futebol tem 22 homens. Com o juiz e os bandeirinhas, 25. Acrescentem-se os gandulas e já teremos um total de 29. Vinte e nove homens e nem um único e escasso canalha, nem um único e escasso vigarista! Eis a verdade, que levaria um Balzac ao desespero e à úlcera: — as condições do futebol contemporâneo tornam impraticável a existência do canalha. Ou por outra: — o canalha pode existir, mas contido, frustrado, inédito, sem função e sem destino. (O juiz ladrão – Nelson Rodrigues).

 

Sei não... Nelson!

Comments 

 
+1 #1 Joviano Silva Lopes 2009-11-04 01:37
Graaaaaaaaaaaaa aande xará! Que prazer enorme ver seu blog por aqui, está excelente por sinal, parabéns! Não sei se terei tempo para ler tudo, mas sempre ficarei de olho aqui.

Com relação à arbitragem no futebol, considero arcaica por causa da$ cartolagen$. Infelizmente não imita os bons exemplos que outros esportes coletivos têm, como por exemplo o basquetebol, em que a decisão é bem mais descentralizada com mais de um árbitro.

Poderia também se usar o recurso dos telões nos lances mais polêmicos com perigo de gol - como pênaltis mal marcados, e anulações de gois por impedimento por exemplo, este inclusive eu concordo com o Rei Pelé, deveria ser banido de uma vez por todas!

Sucesso no seu blog, abraço!
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